Recordo-me de lhe pegar; de me sentir dependente dele ao ponto de não ser eu quando este não estava conectado a nenhuma parte do meu corpo; de me sentir perdida, como que se não conhecesse a minha própria casa, a minha própria rua e a minha própria família. Tudo sem aquele monte de tecido amarelo simplesmente parecia estranho, desconhecido, como que se já não visse o Mundo da mesma maneira sem ele.
Um dia perdi-o…sei isto porque a minha mãe farta-se de me contar este episódio. Ela não sabe o que aconteceu, e muito menos eu (também não me consigo recordar assim de tantos detalhes). Um dia subiu a casa da minha avó e deixou-me à porta dela (isto ainda era possível…), e quando voltou já não tinha o peluche na mão. Continua a ser um mistério, mas o que interessou foi o depois…
Chorei…chorei muito pois aquela era a minha única possessão valiosa até àqueles dias. O meu tio e a minha mãe percorreram quilómetros até me acharem outro igual. Pelo menos havia alguma coisa que o substitui-se…mas contigo é diferente.
O que realmente interessa para este texto por muito ridículo que soe é que tu és o meu peluche do século XXI. És aquela relíquia que espero nunca perder porque como tu não há ninguém; és aquela bolha onde sei que estou segura e que nada de mal me vai acontecer enquanto estiver a teu lado. Não posso simplesmente ir à loja da esquina ver se ainda há à venda ou se ainda é a época dos saldos porque sei que como tu, nem que viaje até à outra ponta do Universo e volte, não há igual. Por isso é que somos o que somos…não há ninguém como tu, nem como eu, nem como nós.
"There's only 1 thing, 2 do, 3 words, 4 you. I love you" - Plain White T's: 1, 2, 3, 4