Inspiras-me...
sábado, 27 de fevereiro de 2010 { 22:40 }

Senti-me tão leve, como se não houvesse chão debaixo dos meus pés, ou mesmo debaixo do meu corpo - uma pena a esvoaçar pela brisa da manhã.
De repente, uma visão extraordinária: uma praia apareceu à minha frente. O mar de um azul que nunca pensei existir, o som das ondas ecoava nos meus ouvidos e muitos quilómetros de areia sem a mínima vida estendida nela perdiam-se no horizonte. “Gostava que ele estivesse aqui”, pensei, sem perceber muito bem a quem me estava a referir e o porquê daquela repentina reflexão.
Não me conseguia ver, nem conseguia saber como estava, mas ignorei e deixei a minha alma mergulhar naquela miragem que aparecia diante de mim. Essas perguntas teriam de ser respondidas em breve. Sentia-me uma criança despreocupada, onde o meu único objectivo seria alcançar a beira-mar e, sem me interessar pela temperatura da água, mergulhar nela e deixar o meu corpo flutuar pois, por um lado, queria aquele sentimento inicial de liberdade novamente presente em mim.
Tentei mover as minhas pernas mas, assustadoramente, não reagiram. A sensação de calma transformou-se rapidamente em pânico, enquanto esforçava uma acção que os meus membros eram incapazes de realizar. Um peso enorme surgiu no meu peito, como que se tivesse um carro em cima dele. Aquele sonho de costa paradisíaca começou a afastar-se rapidamente até que, a única coisa que os meus olhos conseguiram detectar, era um ponto de luz, mais pequeno que um grão de açúcar, rodeado por uma escuridão que nunca antes tinha visto e por um silêncio inimaginável. E foi quando me apercebi…o que estava ali a fazer? Como tinha ido lá parar? E mais importante…quem era?
As memórias de uma vida atingiram-me como um soco, enquanto todos os meus dias passavam à frente dos meus olhos como um filme em super velocidade. Mas, curiosamente, não vi tudo. Vi caras que se tornaram familiares enquanto os ‘flashbacks’ prosseguiam. Vi sorrisos, vi lágrimas mas, sobretudo, vi-o. Vi aquele “ele” que inicialmente tinha feito novos sentimentos aparecer em mim - saudade e alguma culpa. Durante as suas imagens, senti-me como que completa e calma, como que o que me estava a ocorrer naquele momento não fosse, no mínimo, lunático; senti-me, sobretudo, protegida e capaz de enfrentar o inimigo ainda desconhecido, aquele que me tinha levado até àquele local tenebroso.
Começaram a ficar desfocadas, as recordações, digo. Parecia que aquela parte da minha vida não era nítida nem para o meu são eu. Foi então que algo rompeu o silêncio. Uma espécie de um som metálico ressoou, e jurava poder compará-lo a um relâmpago e, seguidamente, aquela sensação de liberdade regressou e todos aqueles problemas voltaram a desaparecer. A praia regressou, o som das ondas também, mas agora com outro som de fundo, um a qual não conseguia detectar a origem. Era um barulho agudo e irritante, como que o de uma máquina, e a única coisa que reproduzia era: Piiiiiiiiiiiiiiiii.
Tudo ficou silencioso. Vi-te pela última vez - lembrei-me do teu nome, da tua cara, dos nossos momentos e, mais importante, lembrei-me que te amava. E, a partir daí, deixo um espaço em branco, pois terás de ser tu a contar-me a história.
"She lives in a fairy tale / Somewhere too far for us to find / Forgotten the taste and smell / Of a world that she's left behind" - Paramore: Brick by boring brick
Etiquetas: desabafo, pensamento