Sinto que estou a ler um livro em branco, ou, talvez, numa linguagem tão enigmática e secreta que o meu cérebro se recusa a aceitar a sua existência. Estou atenta ao sinais, tento ler os reflexos, as mudanças, o silêncio e as gargalhadas, mas todo este esforço apenas me leva onde estou agora - no início de algo que rejeita um começo. Sei que este caminho me leva ao nada, ao fundo e ao vazio, mas desde quando é que eu recusei um desafio, por muito impossível que este seja? Tenho mãos para me agarrar, tenho ombros para chorar e ouvidos para ouvirem os meus lamentos e prantos, porque não? Ando paço a paço, dia a dia, esperando encontrar uma resposta escrita tão evidente e claramente, sem que haja uma mera dúvida, e aí, só aí, vais saber a verdade. Só nesse instante vais saber tudo o que tem hibernado na minha cabeça durante todo este tempo e que, agora, sem motivos que eu possa alcançar, despertou, como por magia, para ficar a atormentar mais uns anos a minha existência.