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sexta-feira, 30 de julho de 2010 { 00:04 }


De perto, consigo ver as lágrimas dela a escorrerem-lhe pela face abaixo…apesar de saber o motivo pelo qual ela se encontra assim, eu permaneço em silêncio a observar a imagem que se apresenta diante de mim e a ouvir os leves soluços e sussurros de saudade que lhe escapam da boca. Ela tenta sorrir a olhar para mim, com os seus olhos a brilharem de solidão, e dizer-me que está tudo bem, que não há nada que a atormenta naquele momento…os seus lábios tentam esboçar um sorriso tão falso como os dos anúncios da televisão, mas é inútil…por mais que ela queira que a sua expressão mude, esta volta sempre à anterior, mostrando o quão fraca e vulnerável ela se encontra. A sua mão recua lentamente e, num movimento seco e de cortar a respiração, o seu punho depara-se com o vidro que se encontrava à sua frente…os pedaços voam para todos os cantos da divisão como todas as suas passadas esperanças que, lentamente, fugiram do seu alcance como se fossem água…e ela fica ali, a olhar para mim, enquanto os meus olhos se encontram com os dela do outro lado do pequeno caco de espelho que se encontra a meus pés coberto de pequenas gotículas de sangue que vão pingando da ponta dos meus dedos…

Ana

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